Como se trata Infiltração no Dente
Você já parou em frente à gôndola da farmácia e se sentiu genuinamente confuso com a infinidade de promessas nas caixas de creme dental? Entre “branqueamento instantâneo”, “proteção total” e “alívio da sensibilidade”, o marketing muitas vezes ofusca a química que realmente importa. Escolher o creme dental não deveria ser um jogo de tentativa e erro, mas uma decisão baseada no que o seu esmalte e sua gengiva demandam naquele momento da vida. O primeiro ponto que precisamos desmistificar é que o creme dental não “limpa” o dente sozinho. A remoção da placa bacteriana é um processo mecânico, feito pelas cerdas da escova. O papel do creme é servir como um veículo para agentes terapêuticos e um lubrificante para facilitar o processo. Se olharmos para o verso da embalagem, o componente que realmente define a eficácia de um produto contra a cárie é o flúor. O número mágico: 1.100 ppm Para que um creme dental tenha efeito profilático real, a ciência é categórica: ele precisa ter, no mínimo, 1.100 ppm (partes por milhão) de flúor. Abaixo disso, o produto é pouco mais do que um cosmético perfumado. O flúor atua em um ciclo constante de desmineralização e remineralização. Quando comemos, o pH da boca cai e o esmalte perde minerais; o flúor entra em cena para repor esses minerais de forma mais resistente, criando a fluorapatita, que suporta muito melhor os ataques ácidos das bactérias. Abrasividade: o perigo invisível Muitos pacientes me questionam sobre os cremes “whitening”. Aqui mora um perigo silencioso. A maioria desses produtos não contém agentes clareadores químicos (como o peróxido de hidrogênio em concentrações eficazes), mas sim uma carga maior de abrasivos, como a sílica hidratada ou o carbonato de cálcio. Existe uma escala chamada RDA (Abrasividade Dentinária Relativa). Cremes dentais com RDA muito alto agem como uma lixa. Eles removem manchas superficiais de café ou tabaco, dão uma sensação imediata de polimento, mas, a longo prazo, podem desgastar o esmalte e expor a dentina, gerando uma sensibilidade crônica difícil de reverter. O ideal é buscar o equilíbrio: limpeza sem agressão. Além do básico: sensibilidade e tecidos moles Se você sente aquele “choque” ao beber algo gelado, o rótulo deve conter nitrato de potássio ou cloreto de estrôncio. Esses compostos não funcionam por mágica; eles precisam de uso contínuo para “vedar” os túbulos dentinários ou despolarizar o nervo do dente, impedindo que o estímulo doloroso chegue ao cérebro. Outro componente onipresente é o Lauril Sulfato de Sódio (LSS). Ele é o responsável pela espuma generosa que associamos à limpeza. No entanto, para algumas pessoas, o LSS é um irritante potente que pode favorecer o aparecimento de aftas recorrentes. Se você tem uma mucosa bucal sensível, procurar um creme dental “SLS-free” pode mudar drasticamente sua qualidade de vida. O cenário prático Imagine um paciente de 60 anos com retração gengival e exposição da raiz do dente. Para ele, um creme dental altamente abrasivo focado em clareamento seria um desastre, acelerando o desgaste da raiz, que é muito mais macia que o esmalte. Nesse caso, a recomendação técnica seria um produto com baixa abrasividade, alta concentração de flúor e agentes dessensibilizantes.
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